Produtividade

Velocidade com consistência: onde sua empresa realmente perde tempo (e por que acelerar não resolve)

Equipe Premiersoft 11 de agosto de 2026 7 min de leitura

Quando uma empresa decide atacar a produtividade, a primeira reação costuma ser a mesma: acelerar. Reduzir o tempo de cada etapa, automatizar envios, encurtar aprovações, cobrar entregas mais rápidas.

O problema é que boa parte do tempo perdido em uma operação não está na execução da tarefa. Está no que precisa acontecer antes dela.

E acelerar uma etapa que depende de informação que ninguém encontra apenas produz o mesmo retrabalho, só que mais rápido.

O tempo que ninguém contabiliza

Um estudo clássico da McKinsey estimou que profissionais do conhecimento gastam em média 1,8 hora por dia, ou 9,3 horas por semana, apenas procurando e reunindo informação. Quase um quarto da jornada. A imagem usada pelos pesquisadores é direta: a empresa contrata cinco pessoas, mas só quatro aparecem para trabalhar, porque a quinta está procurando respostas.

Uma década depois, o cenário ao redor dessa busca piorou. A pesquisa da Microsoft sobre a jornada infinita de trabalho, baseada em sinais de produtividade do Microsoft 365 e em uma sondagem com 31 mil profissionais em 31 países, mostra que o funcionário médio é interrompido a cada dois minutos por uma reunião, e-mail ou notificação, somando 275 interrupções por dia. Ele recebe 117 e-mails e 153 mensagens de Teams por dia útil.

O efeito acumulado aparece na percepção das equipes: 48% dos funcionários e 52% dos líderes dizem que o trabalho parece caótico e fragmentado, e um em cada três afirma que o ritmo dos últimos cinco anos tornou impossível acompanhar. A CNN noticiou que reuniões marcadas depois das 20h cresceram 16% em um ano.

A síntese da própria Microsoft é precisa: gasta-se energia demais organizando o caos antes que o trabalho relevante possa começar.

Onde isso aparece, área por área

Números agregados só convencem quando alguém reconhece a própria operação neles. Abaixo, os padrões que mais se repetem, com a pergunta que costuma revelar cada um.

Jurídico e compras

Contratos revisados um a um, atrás de cláusulas de reajuste, prazos e multas. O trabalho se repete integralmente a cada ciclo de renovação, mesmo quando os critérios de análise são sempre os mesmos.

Há documentos que diferentes pessoas analisam repetidamente seguindo os mesmos critérios?

Financeiro e fiscal

Conciliação entre lançamentos do banco e o ERP feita linha por linha, todo mês, porque os dois sistemas não conversam sozinhos. O mesmo vale para fechamentos, conferências e relatórios recorrentes.

Existem conferências em que duas ou mais fontes precisam ser comparadas manualmente?

Comercial

Montar uma cotação exige reunir preço, estoque, frete e condição comercial em telas diferentes. Multiplique por dezenas de cotações por semana e o custo aparece.

Qual etapa comercial exige mais busca, consolidação ou personalização manual?

Atendimento e service desk

O time responde diariamente as mesmas perguntas que já têm resposta documentada em algum lugar. Ninguém consulta a documentação porque perguntar ao colega é mais rápido do que encontrá-la.

Quanto do tempo do time é consumido por perguntas que já têm resposta em algum lugar?

Toda a organização

Políticas, procedimentos e decisões espalhados entre intranet, SharePoint, e-mail e pastas pessoais.

As pessoas sabem onde está a informação ou dependem de alguém que saiba encontrá-la?

Nenhuma dessas situações aparece isolada em um relatório de produtividade. Somadas ao longo de um mês, elas explicam boa parte do tempo que desaparece entre uma reunião e outra.

A diferença entre fazer mais rápido e decidir melhor

Aqui está a distinção que muda a estratégia.

Fazer mais rápido reduz o tempo de uma etapa específica. É útil, mas linear: ganham-se alguns minutos por execução e nada além disso.

Decidir melhor reduz a necessidade de refazer, de perguntar de novo, de esperar validação de terceiros. Ataca a causa em vez do sintoma, e o ganho se acumula a cada ciclo.

A diferença fica evidente quando se olha para o custo do conhecimento disperso. Levantamentos de mercado indicam que 42% do conhecimento institucional de uma empresa existe apenas na cabeça de colaboradores individuais, o que significa que a saída de uma pessoa pode deixar a organização incapaz de executar aquilo que fazia antes. Uma análise sobre perda de conhecimento organizacional estima que uma empresa com mil funcionários perde cerca de US$ 2,4 milhões por ano apenas em ineficiências cotidianas ligadas a esse problema.

Não é um problema de velocidade. É um problema de onde o contexto vive.

Por que adotar IA, sozinho, não resolve

A resposta natural nos últimos dois anos foi adotar IA. E aqui vem o dado mais desconfortável.

O relatório State of AI in Business 2025, do MIT, analisou 300 implantações públicas, entrevistou 52 executivos e ouviu 153 líderes. A conclusão: 95% dos pilotos de IA generativa não geraram impacto mensurável no resultado financeiro. Entre US$ 30 e 40 bilhões investidos, com retorno próximo de zero na maioria dos casos.

O motivo apontado pelos pesquisadores é revelador. As ferramentas falham porque não retêm feedback, não se adaptam ao contexto da empresa e não melhoram com o tempo. São sistemas estáticos aplicados a problemas que dependem justamente de contexto acumulado.

O Gartner projeta que, até o final de 2026, as organizações abandonarão 60% dos projetos de IA não sustentados por dados preparados. Em outra previsão, estima que mais de 40% dos projetos de IA agêntica serão cancelados até 2027, por custo crescente, valor de negócio pouco claro ou controles de risco inadequados.

A leitura prática: acelerar com IA sem resolver onde o contexto está apenas repete o erro em outra escala.

O problema paralelo: a IA que entrou sem passar pela porta

Enquanto os projetos oficiais tropeçam, o uso informal avança.

A adoção de IA inverteu o caminho tradicional da tecnologia corporativa. Antes era política, depois ferramenta, depois pessoas. Com IA, vieram as pessoas primeiro, a ferramenta em seguida, e a política ficou correndo atrás.

O fenômeno tem nome: shadow AI. Reportagem da Exame e levantamentos do setor mostram que uma parcela relevante dos profissionais usa ferramentas de IA não fornecidas pela empresa, muitas vezes em contas pessoais que a organização não monitora. Um estudo citado pela imprensa brasileira aponta que 38% dos profissionais usam IA sem autorização.

O relatório do MIT reforça a lacuna: enquanto uma minoria das empresas mantém assinaturas corporativas oficiais de modelos de linguagem, a grande maioria dos funcionários já usa ferramentas pessoais no trabalho.

Isso cria uma situação peculiar e diretamente ligada ao tema deste artigo. O conhecimento produzido no dia a dia, decisões, análises, critérios e aprendizados, agora passa primeiro por uma conversa de IA. Se essa conversa acontece fora do ambiente da empresa, o conhecimento sai junto e o problema de contexto disperso piora em vez de melhorar. Vale a leitura completa sobre o tema em Shadow AI: o risco que já está dentro da operação.

A régua regulatória já está se movendo

O tema deixou de ser apenas eficiência.

A ISO/IEC 42001:2023, publicada no Brasil como ABNT NBR ISO/IEC 42001, é a primeira norma internacional para um Sistema de Gestão de Inteligência Artificial. É voluntária, mas já aparece como exigência em contratos B2B, licitações e auditorias externas, sobretudo nos setores financeiro, de saúde e de educação.

No campo legal, o PL 2338/2023, Marco Legal da IA brasileiro, foi aprovado por unanimidade no Senado em dezembro de 2024 e segue em tramitação na Câmara. O texto adota o modelo europeu de classificação por nível de risco e prevê sanções relevantes por infração, conforme análise da Exame.

Para quem lidera operações ou tecnologia, a leitura é simples: os controles que hoje parecem burocracia, como saber quem usou qual modelo, com quais dados e sob quais regras, tendem a virar requisito contratual.

Cinco perguntas antes de investir em velocidade

Antes de discutir ferramentas, vale responder com honestidade:

  1. Quanto tempo sua equipe gasta procurando contexto antes de agir? Não o tempo de executar, o tempo de descobrir o que já foi decidido.
  2. As pessoas sabem onde está a informação ou dependem de alguém que saiba encontrá-la?
  3. Quantas decisões já tomadas voltam a ser discutidas do zero, porque o motivo original não ficou registrado?
  4. Qual processo manual mais consome tempo hoje e se repete com os mesmos critérios?
  5. Você sabe quais ferramentas de IA sua equipe usa e que tipo de informação entra nelas?

Se mais de uma dessas perguntas gerou desconforto, o ponto de partida provavelmente não é acelerar a equipe. É entender onde o contexto se perde antes da decisão.

O que muda quando o contexto tem um lugar

Empresas que tratam esse problema como estrutura, e não como esforço individual, mudam a natureza do ganho.

Deixa de ser "esta tarefa levou menos tempo" e passa a ser "esta decisão não precisou ser tomada de novo". O conhecimento produzido no trabalho diário deixa de existir apenas na experiência das pessoas e passa a existir como ativo consultável, com regras claras sobre quem acessa o quê.

A transição, na prática, é de uma constatação para outra. Sai-se de "existe IA acontecendo aqui dentro sem controle" e chega-se a "conseguimos transformar um problema concreto da nossa operação em algo repetível, usando o nosso próprio conhecimento e com visibilidade para a TI".

É uma mudança menos vistosa que um piloto de IA, mas é justamente a que sustenta o resto. Os dados do MIT apontam nessa direção: o que separa os 5% que funcionam dos 95% que falham não é o modelo escolhido, é a capacidade de reter contexto e aprender com ele.

Velocidade sem consistência gera retrabalho mais rápido. Velocidade com consistência gera capacidade instalada.

Sobre o PRISMON

O PRISMON nasceu exatamente desse problema: empresas que já convivem com o uso crescente de IA no trabalho, mas precisam transformar esse uso em uma operação segura, visível e auditável, sem perder o conhecimento que é produzido no caminho.

AIm for Greatness. Equipe Premiersoft

Referências

  1. McKinsey, sobre tempo gasto na busca por informação, compilado em Cottrill Research
  2. Microsoft, Breaking down the infinite workday (Work Trend Index Special Report, jun/2025)
  3. CNN Business, sobre a jornada infinita de trabalho
  4. MIT State of AI in Business 2025, cobertura da Forbes
  5. Gartner, sobre dados preparados para IA
  6. Gartner, sobre cancelamento de projetos de IA agêntica
  7. Exame, o que é shadow AI
  8. BP Money, sobre uso de IA sem autorização
  9. Exame, sobre o PL 2338 e o Marco Legal da IA
  10. Iterators, sobre o custo da perda de conhecimento organizacional